13 de agosto de 2005

... não é crime

É um fenómeno crescente na sociedade e, em qualquer ponto do mundo em que se esteja, começa a ser relativamente grande a probabilidade de entrarmos em contacto com um indivíduo afectado por este fenómeno. Falo-vos de car tuning. É verdade. Eles andem aí. Assiste-se a um crescimento exponencial de azeiteiros com fraca percentagem de utilização da sua massa encefálica e que se sentem realizados por conseguir transformar um carro decente numa discoteca ambulante de fraca qualidade. Juntam-se em grupos, vulgarmente rivais entre si, e constituem uma comunidade interessante do ponto de vista científico. Após um estudo aprofundado sobre este tipo de indivíduos, consegui diferenciar 4 níveis crescentes e distintos de estados de evolução do fenómeno:


Nível 1 - Conjunto de indivíduos considerados não muito azeiteiros, podendo eventualmente, se afastados do seu veículo, ser confundidos com indivíduos ditos normais. Os carros apresentam inevitavelmente uma pala traseiras e vidros escurecidos. Em casos mais extremos, e já a roçar o nível 2, a utilização de luzes de neon também se verifica. Acredito profundamente que têm salvação se tiverem bastante força de vontade e acompanhamento médico especializado.

Nível 2 - Já bastante azeiteiros. Normalmente as pontas dos cabelos loiras e as calças à boca de sino justinhas no cu e nos tomates não lhes permitem uma mistura despercebida com a comunidade circundante não azeiteira, mesmo quando afastados do veículo. A alteração dos carros envolve, para além dos elementos referidos no nível 1 levados ao extremo, a inclusão de uma pintura extravagante, e de autocolantes de dimensões médias nos vidros do carro. Em alguns casos mais raros, a alteração do som da buzina contribui também para um aumento significativo do seu estatuto no grupo em que se encontra inserido.

Nível 3 - Casos considerados muito graves. Este nível apresenta a capacidade de gastar em acessórios um valor aproximado ao valor do carro que pretendem "melhorar". Para além das características dos níveis anteriores, estes indivíduos abdicam do espaço da mala para instalar um sistema de som que quando ligado à noite (e só pode ser ligado com a mala de trás aberta) é capaz de originar chamadas telefónicas para a polícia num raio de 5 quilómetros. A substituição dos bancos de série por bancos desportivos recar é bastante frequente.

Nível 4 - Casos extremos. O valor gasto no tuning atinge várias vezes o valor do veículo. É vulgar a compra de um carro mais barato, para assim poderem gastar mais em acessórios. Para além de tudo o que foi referido, a existência de 3 ou 4 canos de escape é inevitável. É absolutamente necessário um respirador no capot do carro, e autocolantes nos vários vidros, com as maiores dimensões possíveis, ainda que isso resulte numa diminuição da visibilidade da ordem dos 75% (há que definir prioridades). Se necessário abdicam, para além da mala, dos lugares traseiros, e eventualmente do passageiro, para a instalação do melhor sistema sonoro possível. Dentro de cada grupo a relação "valor gasto em tuning / valor do carro" é utilizada para estabelecer um ranking actualizado mensalmente e que dita uma hierarquia que tem que ser respeitada por todos.


É sempre bom saber um pouco mais sobre aqueles que nos rodeiam. Espero ter contribuido para uma melhor compreensão destes indivíduos ostracizados pela sociedade. Mas lembrem-se: Tuning não é crime.

2 comentários:

"O das Tretas" disse...

LOL!
( eu não tenho um carro tuning...)

Pato Suicida disse...

vivam os xunnings!!!!

 
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